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Sabores do Sul: como a gastronomia mantém viva a tradição

Os principais pratos gaúchos são cheios de sabor e história

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A gastronomia também mantém viva a tradição gaúcha
A gastronomia também mantém viva a tradição gaúcha

Em um CTG, numa churrascaria ou em casa com a família, o almoço de domingo no Rio Grande do Sul só pode ser churrasco, a carne assada tradicional que conquistou o mundo e se tornou um símbolo não só da culinária gaúcha, mas também da brasileira. Para entender o que tornou o churrasco tão importante para os gaúchos, é preciso mergulhar na própria história do estado.

O Rio Grande do Sul foi uma região tardiamente incorporada ao território brasileiro. Ocupada desde a pré-história por grupos indígenas, a primeira ocupação europeia se deu atraves das reduções jseuíticas, que tinham o objetivo de catequizar os indígenas da região. Os jesuítas chegaram em 1626 - em 2026 serão celebrados os 400 anos das Missões Jesuíticas. Juntamente com os jesuítas, chegou o gado europeu, trazido por um padre chamado Cristóvão Mendonça. Com a destruição dessas primeiras missões, provocada pelos bandeirantes, o gado se espalhou livremente pelas planícies so sul e encontrou no pampa as melhores pastagens do mundo, com uma imensa variedade de gramíneas e água abundante. A gadaria, que vivia solta, passou a ser caçada pelos índios charruas e minuanos, que levavam uma vida nômade e preparavam a carne em fogo de chão.

Os índígenas iniciaram a tradição do fogo de chão
Os índígenas iniciaram a tradição do fogo de chão

Com a segunda chegada dos jesuítas ao território do Rio Grande do Sul, nos séculos XVII e XVIII, e a fundação dos Sete Povos das Missões, a carne foi incorporada ao cardápio dos índios guaranis, que introduziram o sal e o espeto, dando forma ao churrasco gaúcho moderno.

Os imensos rebanhos de gado também tiveram outro papel fundamental na história do Rio Grande do Sul, com a produção do charque que abastecia o Brasil colonial e se tornou o principal produto gaúcho no século XVIII, especialmente na região de Pelotas, tanto que a taxação sobre o charque foi um dos motivos que contribuíram para o início da Revolução Farroupilha. O charque é a base de outro prato tradicional gaúcho, o carreteiro, que surgiu como um receita prática preparada pelos carreteiros (daí o nome), entre uma pausa e outra em suas longas viagens. Mesmo hoje, quando as carretas puxadas por gado já não existem, e a técnica do charque já não é mais necessária para conservar a carne, o carreteiro continua sendo um dos pratos preferidos pelos gaúchos no dia a dia.

O carreteiro é um símbolo da cultura gaúcha
O carreteiro é um símbolo da cultura gaúcha

Uma década antes da Revolução Farroupilha, em 1824, os alemães chegaram ao Rio Grande do Sul para ocupar o território que ainda era muito despovoado. Talvez a principal contribuição dos imigrantes alemães para a gastronomia do estado seja a cuca, um bolo de massa fofa com farofa crocante feita de farinha, açúcar e manteiga, que pode ser encontrada em muitos sabores, como uva, doce de leite, goiabada ou requeijao, presença obrigatória nos cafés coloniais. Um acompanhamento típico do churrasco de domingo, a maionese ou salada de batatas também tem influência germânica.

Cinquenta anos depois da chegada dos alemães foi a vez dos italianos, em 1875. E com eles foi incorporado à culinária gaúcha o sagu de vinho, uma sobremesa tradicional e afetiva especiamente popular na serra. Feita com bolinhas de fécula de mandioca, cozidas em vinho tinto, geralmente com açúcar e especiarias como canela e cravos-da-índia, que dão a cor, o sabor e o aroma característicos ao doce. O sagu de vinho é uma receita que combina influências indígenas, com a mandioca, e italianas, com o vinho.

O sagu de vinho combina influência indígena e italiana
O sagu de vinho combina influência indígena e italiana

Muitas outras receitas fazem a diversidade da culinária gaúcha. Poderíamos citar os doces de Pelotas, a feijoada, o puchero, o entrevero, a ovelha, o xis que é principal lanche urbano, sem contar, é claro, o chimarrão, que merece um capítulo à parte nessa série. E embora esses sabores tenham conquistado o mundo, nada se compara à experiência de prová-los no seu local de origem, com a vista das paisagens e ao som de uma canção gaúcha.

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